
domingo, 28 de dezembro de 2008
Presídio

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Guernica

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Lançamento do livro "O áspero hálito do amanhã"
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Lançamento do livro "Bicicletas para memórias & invenções 4" na Casa Fernando Pessoa

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dia 13 de Dezembro de 2008
Local: Centro Cultural do Serpro - Lapa - RJ
Em Almoço de Confraternização promovido pela Associação dos Ex-alunos do Instituto Benjamin Constant, será feita a entrega dos 50 cd´s do Projeto À Luz da leitura como presente de final de ano aos Deficientes Visuais. Os cd's terão o formato de página da WEB, contendo na Home Page um texto alusivo ao Projeto, texto da Instituição, Relação dos Poetas/escritores participantes em forma de link (todo o conteúdo estará no próprio cd).
Ao clicar no nome de cada um dos Poetas/participantes, os usuários navegarão até a página do respectivo autor onde terão acesso aos Dados do Autor (com link para as respectivas páginas e/ou blog na internet), poemas falados e na forma de texto.
Poetas/escritores participantes:
1- Abigail
2- Alberto Pereira
3- Eliana Mora
4- Fabio Rocha
5- Graça Pires
6- Maria Carvalhosa
7- Mariana Botelho
8- Mercedes Lorenzo
9- Paulo de Carvalho
10- Pavitra
obs 1: O Projeto À Luz da leitura é SEM FINS LUCRATIVOS e NÃO INSTITUCIONAL.obs 2: O formato do projeto em cd foi desenvolvido por Paulo de Carvalho.
No endereço
http://psdecarvalho.multiply.com/calendar/item/10009
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Lançamento do livro "O Áspero Hálito do Amanhã"

domingo, 12 de outubro de 2008
Mulheres

do fundo da alma
descem corpos ruborizados de Primavera.
Fermentados de utopia
vagueiam na insónia da imaginação
e sentam-se na véspera do impossível.
Corpos algemados de ternura
que despejam sobre as rugas dos dias
poemas compilados de coragem.
Esbracejam de fantasia
como se todas as dores fossem infinitamente nada
e debruçadas sobre o desassossego
respiram o deslumbramento de cada instante.
São rostos de eternidade
aguardando no incógnito ventre dos sonhos
um beijo do desconhecido.
São,
corajosamente mulheres.
Alberto Pereira
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Loucura
Quero-te loucura,
és a abrupta harmonia na quietude do imperceptível,
orgasmo de silêncio a cintilar nos alvéolos do instante.
Porque me foges
quando na orla intemporal do teu cataclismo
há uma apoteose inesgotável de existência.
Vem loucura,
iça-me para a integridade vacilante da alucinação,
rouba-me a imutável tragédia do deslumbramento.
Exala-me de ânsia
para que possa naufragar
no imenso extravio da inquietação,
no fulgor translúcido do desconhecido.
Eu não quero mais andar vendado
por este caos decadente
que emerge no decalque original do vazio.
Deixa-me deambular
na indelével relutância do pressentimento,
desabar na irrequieta limpidez entre o nada e o nada.
Poema - Alberto Pereira
Video/Voz - Zélia Santos
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Adeus

e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Bairro de lata

Uma floresta de tábuas eriçadas que se espreguiçam na miséria, dão abrigo aos homens mudos de sonhos.
O horizonte merenda a arquitectura desordenada dos telhados de zinco que cobrem a madeira nua que treme de podridão. Em cima deles um sem número de inutilidades; pneus, tijolos e lixo reciclado pelas mentes que necessitam de guardar alguma coisa para enganar a desilusão.
Não se ouvem pássaros, apenas gritos e rumores das mulheres que dissecam cada pormenor da vida alheia. Estas não usam cremes, os seus cheiros são meteorológicos, pois o pouco dinheiro que lhes resta serve para saciar a fome à realidade.
As crianças correm, são “livres”, embora habituadas a sentir o álcool enfurecer as mãos dos pais sem razão plausível. Joga-se à bola, ao berlinde e às escondidas. Realizam-se os jogos olímpicos várias vezes por mês, com prémios de cortiça e taças feitas com garrafas de óleo, cabos de vassoura e pratas retiradas dos maços de tabaco já consumidos.
Os homens embriagam os dias de esquecimento, os filhos com a infância engarrafada lavam o futuro na revolta.
Aqui abrem-se as portas à memória, o tempo acende o sono dos sorrisos e a cada dia que passa nascem ilhas.
domingo, 31 de agosto de 2008
Concurso de Poesia 2008 "Ora vejamos"

segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Livro "Poemas Sem Fronteiras"

sábado, 16 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Sobre um poema

na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,invade as órbitas,
a face amorfa das paredes, a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,a redonda
e livre harmonia do mundo.
- Embaixo o instrumento perplexo
ignora a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Helder
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Retiro de Escrita
Na tarde sufocante, o ar estrangulado percorre as vielas brancas de Serpa.
O céu está inflamado por uma fervente nostalgia de ouro, as planícies intermináveis fulguram beleza na quietude do dia e só seis "loucos" guerreiros seguem o seu Mestre.
Sentam-se frente a imaculada brancura das folhas, puxam canetas, despem a imaginação.
Aos primeiros alvores da fantasia seguem as metáforas mágicas do homem que os guia.
Clamam ilusões, fervilham utopias, crescem fantasmas, mascaram-se infernos, deambulam paraísos.
Há Verão em todos os corpos, corre o fascínio e só as palavras segredam que chegámos à eternidade.
Mestre - Pedro Sena-Lino
Guerreiros - Alberto Pereira/Susana Cabaço/Cristina Coroa/Francisco Rosa/
Manuel Alonso/Rita Saldanha
Obrigado a todos por estes 2 dias maravilhosos passados nesse refúgio rural que se chama Casa de Serpa.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Poeta
domingo, 15 de junho de 2008
POEISIS XVI

domingo, 25 de maio de 2008
terça-feira, 20 de maio de 2008
Concurso de Poesia 2008 "Ora vejamos"

sábado, 10 de maio de 2008
sábado, 3 de maio de 2008
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Abismo
sexta-feira, 25 de abril de 2008
25 de Abril
terça-feira, 22 de abril de 2008
Sul
Há desalento fingido no árido abandono da paisagem que se estende no mar sereno da planície. Um mar onde a água é uma ilusão que os lábios da terra poucas vezes tocam. Lê-se na face do infinito que o sol tórrido, votou este recanto à febre latente da solidão.
Os animais no meio dos campos repousam de forma tranquila, resignados à fome que o hábito os ensinou a suportar. Cabisbaixos, ruminam a erva inexistente; sonham com o verde que nunca viram e que apenas conhecem dos rumores que a escassa brisa arrasta quando não fica ancorada no calor.
Ao início da tarde, respira-se um ar que traz um longo lamento ao castanho imenso que ferve debaixo do olhar atento do céu. É corajosa a natureza que recebe este bafo que a sufoca, sem que um murmúrio irado se ouça. No fim do dia quando a tarde começa a esmorecer e espalha já uma claridade forçada sobre o horizonte, há um amontoado de sonhos que vagueiam pelo jardim do crepúsculo.
Quem terá concebido este sonho perfeito no coração do vazio?
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Desencanto

Entristece-me perder o que nunca existiu,
mas não quero permanecer no que existe.
Dentro das muralhas da tua beleza
corre um rio de egoísmo
que já não consigo suportar.
Destruíste as margens da tolerância
e as águas começam já a inundar-me a dignidade.
Quem despejou esta arrogância na tua corrente?
És uma enxurrada violenta
que desagua no mar poluído da insensatez.
Tu, encanto interrompido pelo desnudar dos dias
que desenhou uma fé sombria nos meus sonhos
e incendiou de dor o horizonte.
Porque deixaste que o desejo nefasto do teu orgulho
secasse o rio de ilusão que me enchia a alma.
Procuro ainda na essência nocturna dos teus lábios
um folêgo de sobrevivência que faça palpitar
o esplendor da tua imagem.
Caminho neste Outono embriagado de desilusão
e ouço a tua voz desfalecer no vento.
Sigo sedento pelo labirinto íntimo de êxtases perdidos
que vivem encalhados no fundo da minha memória.
Mergulho no brilho pálido da tua inocência
e nas águas anémicas de alegria
aguardo uma transfusão que faça circular a eternidade.
Alberto Pereira
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Talvez o caminho do desconhecido seja a nitidez absoluta para avançarmos para a utopia, pois a ilusão é apenas um estado prematuro de lucidez criticado pela realidade engelhada, mas não uma impossibilidade. A persistência fecunda sempre os sonhos, embora hajam espaços de tempo em que a esterilidade dos dias adia a gravidez anunciada de quem sabe suportar o abraço da imprevisibilidade.
Aqui fica uma sugestão de leitura:
O livro Intemporal (conto & poesia) 20 autores da Editorial Minerva, no qual tive o prazer de participar.