terça-feira, 22 de abril de 2008

Sul



O horizonte é uma ilusão sem fim e as nuvens emolduradas no céu
oásis perdidos no deserto azul. Tudo é plano, de um castanho que se perde na imensidão do espaço, permeado aqui e ali, por um verde envergonhado. O mundo parece ter pousado num local onde qualquer relevo é uma afronta ao manto que abençoa a exactidão deste chão.
Há desalento fingido no árido abandono da paisagem que se estende no mar sereno da planície. Um mar onde a água é uma ilusão que os lábios da terra poucas vezes tocam. Lê-se na face do infinito que o sol tórrido, votou este recanto à febre latente da solidão.
Os animais no meio dos campos repousam de forma tranquila, resignados à fome que o hábito os ensinou a suportar. Cabisbaixos, ruminam a erva inexistente; sonham com o verde que nunca viram e que apenas conhecem dos rumores que a escassa brisa arrasta quando não fica ancorada no calor.
Ao início da tarde, respira-se um ar que traz um longo lamento ao castanho imenso que ferve debaixo do olhar atento do céu. É corajosa a natureza que recebe este bafo que a sufoca, sem que um murmúrio irado se ouça. No fim do dia quando a tarde começa a esmorecer e espalha já uma claridade forçada sobre o horizonte, há um amontoado de sonhos que vagueiam pelo jardim do crepúsculo.
Quem terá concebido este sonho perfeito no coração do vazio?

Alberto Pereira

4 comentários:

Fonseca disse...

Fantástico amigo!!! Cá estou eu a deixar a minha opinião. Só um reparo "cabisbaixos" e não cabisbaixo, mas é só um pormenor, que não é mais do que um por com menos de 18 anos. lol. UM abraço ENORME. Paulo Fonseca

Alberto Pereira disse...

Oi Fonseca,já segui a tua sugestão que estava inteiramente correcta.
Obrigado por perderes uns minutos com as minhas divagações.És muito especial. Um abraço.

cohiba disse...

Estas um autentico poeta inspirado nas ninfas do Tejo. Continua a dar asas aos teus pensamentos e reflexões pois há sempre quem se possa inspirar neles.
Um abraço e navega bem longe no teu imaginario.
Francisco Pereira

Crónicas de Viagens disse...

Um texto muito bonito.
Parabéns