segunda-feira, 21 de julho de 2008

Retiro de Escrita



Na tarde sufocante, o ar estrangulado percorre as vielas brancas de Serpa.
O céu está inflamado por uma fervente nostalgia de ouro, as planícies intermináveis fulguram beleza na quietude do dia e só seis "loucos" guerreiros seguem o seu Mestre.
Sentam-se frente a imaculada brancura das folhas, puxam canetas, despem a imaginação.
Aos primeiros alvores da fantasia seguem as metáforas mágicas do homem que os guia.
Clamam ilusões, fervilham utopias, crescem fantasmas, mascaram-se infernos, deambulam paraísos.
Há Verão em todos os corpos, corre o fascínio e só as palavras segredam que chegámos à eternidade.

Mestre - Pedro Sena-Lino

Guerreiros - Alberto Pereira/Susana Cabaço/Cristina Coroa/Francisco Rosa/
Manuel Alonso/Rita Saldanha

Obrigado a todos por estes 2 dias maravilhosos passados nesse refúgio rural que se chama Casa de Serpa.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Poeta



O poeta é um mundo insubornável
que paga em melancolia
a arquitectura ardente da transgressão.

Alberto Pereira

domingo, 15 de junho de 2008

POEISIS XVI



Foi lançada no passado dia 14 de Junho no Auditório Carlos Paredes em Benfica, a Antologia Poética Poiesis XVI (58 autores), Editorial Minerva, em que tive o prazer de participar com 4 poemas (Fingidos/ Equação de ti/ Loucura/O último parágrafo do encanto).
São projectos como este, que embora circulando num meio restrito, vão fazendo crescer a motivação de quem na verdade ama a escrita e se depara com os obscuros labirintos que rodeiam os meandros da edição.
Por tudo isto uma palavra de apreço para todos os que continuam a insinuar-se corajosamente, sem temer a pouca divulgação e a critica de que são alvo.
Parabéns a todos os co-autores da obra e também ao Ângelo Rodrigues o mentor da mesma.


Alberto Pereira

domingo, 25 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

Concurso de Poesia 2008 "Ora vejamos"



POEMAS VENCEDORES

1.º Prémio

Meia-noite na Alma
(79 pontos)

Alberto Pereira, Portugal



2.º Prémio

A falta
(76 pontos)

Maria de Lourdes Barbosa Oliveira Didi, Brasil



3.º Prémio

Minueto a uma Dama de Cravos
(72 pontos)

sábado, 10 de maio de 2008

Fascínio



Dá-me um orgasmo verde
que me encalhe de alucinação
junto à utopia do teu corpo.


Alberto Pereira

sábado, 3 de maio de 2008

Existência



Somos luzes inertes acesas de trevas
em dias abortados de existência
aguardando na posição fetal da fantasia
uma alma nómada grávida de utopia.


Alberto Pereira

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Abismo



Nas garras ímpias da ferocidade
espreito a falésia escarpada de sonhos desfeitos
e acaricio as rugas do abismo.

Alberto Pereira

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril


O dia em que o cheiro fétido da ditadura
sucumbiu ao aroma perene dos cravos.

Não gostaria de ver morrer a liberdade
nas mãos da incongruência,
pois às vezes fazemos dela
uma luxúria desprovida de senso
onde tudo é permitido.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sul



O horizonte é uma ilusão sem fim e as nuvens emolduradas no céu
oásis perdidos no deserto azul. Tudo é plano, de um castanho que se perde na imensidão do espaço, permeado aqui e ali, por um verde envergonhado. O mundo parece ter pousado num local onde qualquer relevo é uma afronta ao manto que abençoa a exactidão deste chão.
Há desalento fingido no árido abandono da paisagem que se estende no mar sereno da planície. Um mar onde a água é uma ilusão que os lábios da terra poucas vezes tocam. Lê-se na face do infinito que o sol tórrido, votou este recanto à febre latente da solidão.
Os animais no meio dos campos repousam de forma tranquila, resignados à fome que o hábito os ensinou a suportar. Cabisbaixos, ruminam a erva inexistente; sonham com o verde que nunca viram e que apenas conhecem dos rumores que a escassa brisa arrasta quando não fica ancorada no calor.
Ao início da tarde, respira-se um ar que traz um longo lamento ao castanho imenso que ferve debaixo do olhar atento do céu. É corajosa a natureza que recebe este bafo que a sufoca, sem que um murmúrio irado se ouça. No fim do dia quando a tarde começa a esmorecer e espalha já uma claridade forçada sobre o horizonte, há um amontoado de sonhos que vagueiam pelo jardim do crepúsculo.
Quem terá concebido este sonho perfeito no coração do vazio?

Alberto Pereira