ESTENDAL DE VULCÕES
Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Uma sarjeta mal vigiada
acaba sempre a florir aftas.
Porque não arrancar os preservativos às palavras
para que os homens aconteçam.
Escurece-os a impotência dos dentes
sempre acomodados à crise das gengivas.
O palato não nasceu para engolir o escuro.
Vergar a língua é encomendar
um caixão para a cabeça.
Talvez por isso,
a boca seja um estendal de vulcões,
farto de se adiar em aspirinas.
Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Sílabas sem esmalte,
são barbatanas para a cárie.
Mas os lábios têm por destino,
afogar lanças em perfume.
O pântano chega mais tarde,
quando o tártaro inunda o látex.
Os homens não sabem que as rugas começam na garganta.
Livro Amanhecem nas rugas precipícios
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1 comentário:
Excelente, Alberto! Este teu texto combina um elevado domínio da escrita poética com uma ironia a um tempo fina e corrosiva. Cinco estrelas. Sem qualquer dúvida!
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