terça-feira, 7 de dezembro de 2010
UM PRECIPÍCIO A QUE QUEREMOS PERTENCER -POEMAS DITOS 8
Episódio 8
Mário Cesariny - Queria de ti um país
"queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma!"
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Agenda do Eu

Para os interessados, aqui fica uma sugestão de Natal em que participo;
Agenda da Companhia do Eu.
Com textos dos alunos
2011
Sara Rodrigues, Laura Avelar Ferreira, Rodrigo Miquelino, João Cardona,
Josiane Guiraud, Chantal Guilhonato, Cristina Vieira,
Patrícia Guerreiro Nunes, Manuel Alonso, Rita Saldanha,
Sebastião Salgado, Paula Rancon.
2012
Joaquim Pedro Lampreia, Claudia Brabetz Cameira, Peter Janson,
Frederico Magalhães, Alberto Pereira, Susana Cabaço, P. Alcântara,
Paula Almeida, Dário Sopleen, Patrícia Ferraz, Rui Santos,
Rui Pedro Rebelo, Joana Koehler.
À venda na Companhia do Eu - Lisboa e Porto
Encomendas:
companhiadoeu@gmail.com
companhiadoeu.porto@gmail.com
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Pedro Sena-Lino
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Livraria Wook - "O áspero hálito do amanhã" de Alberto Pereira
sábado, 20 de novembro de 2010
21º Concurso de Contos Paulo Leminski

O português Alberto Pereira, foi um dos 40 finalistas do Concurso Paulo Leminski 2010, Paraná - Brasil.
Esta edição foi ganha por Maria Adelaide de Amorim Oliveira do Rio de Janeiro, com o trabalho, “Clarice na torre de cristal”.
Mensagem da organização aos finalistas:
"A Comissão Organizadora lhe parabeniza por seu conto nesta 21ª edição do Concurso de Conto Paulo Leminski, pois o mesmo ficou entre os 40 finalistas selecionados, queremos ressaltar que neste ano tivemos uma participação de 794 contos inscritos pela fundamental e expressiva parcela de talento e criatividade emprestaram ao evento. Escrever não é fácil. Clarice Lispector comparou certa vez o ato de escrever à árdua tarefa de quebrar rochas; por isso nós da Comissão Organizadora queremos em nome da Prefeitura do Município de Toledo e Unioeste cumprimentar as principais estrelas deste projeto os participantes que enriquecem ano a ano o nosso concurso, compartilhando através de suas narrativas percepções de mundo, vida e aflições cotidianas. É por meio da leitura dos trabalhos inscritos, nos aproximamos de muitas pessoas. A coordenação do evento, desde o princípio, tem conduzido os trabalhos com dedicação na preservação da transparência no julgamento das obras. Tem tomado o grande cuidado de que os contos sejam julgados unicamente pela sua qualidade e mérito literário, sem que nenhuma informação sobre a autoria chegue à banca que julga os trabalhos. Para tanto, dados referentes às obras – autores, procedência, titulação, etc – somente são divulgados após o registro por escrito do resultado de cada evento. E sempre temos tido a postura de aceitação das decisões tomadas pela Comissão Julgadora. Contamos com sua participação nas próximas edições e continue escrevendo e participando de eventos literários, pois a cada edição o que nos motiva a dar continuidade ao evento é a participação dos escritores de todos os lugares do Brasil e também de alguns do exterior, acreditando que a literatura é possível, tornando-se assim os verdadeiros autores do Concurso."
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
DELÍRIOS DE UM MERGULHO AFOGADO

É incrível como nos tornamos egoístas. Como o que foi tudo, passa a ser nada, ou muito pouco. Como a atenção que damos às pessoas, mesmo que doentes, é um picar de ponto de quando em vez. Como o que foi amor, passa com a rapidez de um jogo qualquer. Como as palavras que se disseram e as lágrimas que aconteceram, parecem não encaixar em nós. Assusta-me este mergulho afogado, em que aquilo em que acreditei já não sabe nadar. Foram apenas delírios de uma mente pródiga em fantasia.
Houve um tempo em que tudo era extraordinário, mas o que ainda hoje pago por essa ilusão, tem o peso de muitas lâminas.
Alberto Pereira
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Novo livro de Pedro Sena-Lino

Pedro Sena-Lino tem um novo livro, editado pela Porto Editora.
"A minha vida num livro" é o título que desafia o leitor a escrever-se.
«Haverá no mundo narrativa mais essencial do que a nossa? Como uma longa carta pessoal e transmissível, contar a história da nossa vida é refazê-la, é tomar posse da própria existência. O mundo está construído sobre narrativas, muitas delas mais antigas do que a escrita, e a autobiografia é a melhor arma possível enquanto processo de auto-conhecimento e de alargamento dos recursos da escrita.
Concebido para quem tem já hábitos criativos, mas também para quem deseja embarcar neste processo de auto-descoberta através da escrita, este livro proporciona momentos de reflexão e exercício, com vista à iniciação neste género com as raízes perdidas no tempo»
A obra terá uma apresentação em Lisboa (17 de Novembro, na Livraria Bertrand do Chiado, às 18h30) e no Porto (29 de Novembro, na FNAC de Santa Catarina, às 18h30).
Pedro Sena-Lino nasceu na Páscoa de 1977. Poeta, com oito livros de poesia publicados, dos quais se destacam deste lado da morte ninguém responde (2005, reed. 2008), zona de perda – livro de albas (2006), angstraße (2010). Em 2010, foi editada uma antologia da sua poesia, material angústia (2010, com posfácio de Ludovic Heyraud). Está traduzido para Alemão, Croata, Francês e Japonês.
Ficcionista, publicou o livro de contos Museu de História Sobrenatural (2007) e o romance histórico 333 (2009). Coordenou três colectâneas de contos na Porto Editora, Contos Policiais, Contos de Vampiros e Princesas, Príncipes, Fadas e Piratas com Problemas.
É doutorando em Literatura Feminina do Século XVII, com uma tese sobre Feliciana de Milão. Professor de escrita criativa e autobiografia desde 2000, orientou centenas de acções de formação em Portugal e na Europa. Fundou em 2005 a Companhia do Eu, escola de Escrita Criativa, de que é director. Em 2007 publicou Criative-se – Um Manual de Escrita Criativa, reeditado pela Porto Editora com o título Curso de Escrita Criativa I – Criative-se (2008, reeditado em 2009), a que se seguiu Curso de Escrita Criativa II – Uma Costela de Quem?
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
UM PRECIPÍCIO A QUE QUEREMOS PERTENCER - POEMAS DITOS 7
Episódio 7
José Régio - Cântico Negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
UM PRECIPÍCIO A QUE QUEREMOS PERTENCER - POEMAS DITOS 6
Episódio 6
Herberto Helder - No sorriso louco das mães
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
UM PRECIPÍCIO A QUE QUEREMOS PERTENCER - POEMAS DITOS
Episódio 5
Pablo Neruda - Inclinado en las tardes
INCLINADO NAS TARDES
Inclinado nas tardes lanço as minhas tristes redes
aos teus olhos oceânicos.
Ali se estira e arde na mais alta fogueira
a minha solidão que esbraceja como um náufrago.
Faço rubros sinais sobre os teus olhos ausentes
que ondeiam como o mar à beira dum farol.
Somente guardas trevas, fêmea distante e minha,
do teu olhar emerge às vezes o litoral do espanto.
Inclinado nas tardes deito as minhas tristes redes
a esse mar que sacode os teus olhos oceânicos.
Os pássaros nocturnos debicam as primeiras estrelas
que cintilam como a minha alma quando te amo.
Galopa a noite na sua égua sombria
derramando espigas azuis por sobre o campo.
Pablo Neruda
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
"LIVRO" DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO
"A mãe pousou o LIVRO nas mãos do filho".
É desta forma que começa o novo romance de José Luís Peixoto.
Frase que é um horizonte onde nos aguardam personagens inesquecíveis.
Assim aconteceu em:
NENHUM OLHAR
"Hoje o tempo não me enganou."
UMA CASA NA ESCURIDÃO
"Era uma vez o fim da tarde."
CEMITÉRIO DE PIANOS
"Quando comecei a ficar doente, soube logo que ia morrer."
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